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Imprensa adere em força ao novo acordo ortográfico

(2010-02-01 07:51)

O professor catedrático Carlos Reis considerou hoje "um passo importante" que a Agência Lusa e outros órgãos de informação passem a adotar o Acordo Ortagráfico, porque se trata de um "importante instrumento de consolidação e internacionalização da língua portuguesa".

"O facto de a Lusa adotar agora o Acordo Ortográfico é uma boa notícia porque significa que a Comunicação Social portuguesa finalmente está atenta e desperta para a importância que ela mesma tem na entrada em vigor de tão importante instrumento de consolidação e internacionalização da língua portuguesa", disse Carlos Reis.

A presidente da Sociedade de Língua Portuguesa (SLP), Elsa Rodrigues dos Santos, salientou, em declarações à Lusa, que o Acordo Ortográfico é "irreversível", mas alertou que a SLP entendeu ser "mais prudente" esperar mais um mês, até que saia a publicação do Vocabulário elaborado pela Academia das Ciências.

A mesma responsável aconselhou "alguma prudência" porque se está ainda à espera desse Vocabulário, numa altura em que "há problemas a serem clarificados", principalmente com a hifenização e aglutinação das palavras.

Embora entenda que o mais prudente seria esperar pelo Vocabulário da Academia das Ciências, a presidente da SLP refere que os órgãos de comunicação social que avançaram com a aplicação do Acordo Ortográfico podem utilizar essa experiência como "preparação", já que é sempre possível "retificar" o que tiver que ser alterado.

Carlos Reis, que se doutorou em Literatura Portuguesa em 1983 pela Universidade de Coimbra que é professor catedrático desde 1990, entende ser importante que a Comunicação Social adote o Acordo Ortográfico porque "no fundo ela substitui outros órgãos e entidades que deviam ter tido uma atitude mais ativa e não tem tido".

"Refiro-me concretamente ao Governo e à Academia de Ciências que tem estado numa atitude relativamente passiva quando comparado com o que acontece em outros países, designadamente o Brasil", acrescentou Carlos Reis, que é Reitor da Universidade Aberta.

Nas palavras de Carlos Reis, este "passo é importante também porque é o uso que vai ajudar a resolver vacilações e dificuldades que o Acordo Ortográfico pode levantar, como sempre acontece e aconteceu no passado quando iniciativas destas se concretizara".

Carlos Reis foi Diretor da Biblioteca Nacional de Portugal (1998-2002), Presidente da Comissão para o Bicentenário de Almeida Garrett (1999-2000), Presidente da Comissão Nacional do Centenário da Morte de Eça de Queirós (2000-2001) e Presidente da Associação Internacional de Lusitanistas (1999-2001).

Os jornais Expresso e Diário Económico vão adotar nos próximos meses as normas do Acordo Ortográfico, à semelhança do que a agência Lusa começou a fazer hoje, disseram sábado à Lusa os diretores destes títulos.

O Jornal do Crédito também está a adaptar a sua redação ao novo acordo ortográfico.


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